Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012
Recesso extenso.
Sábado, 18 de Fevereiro de 2012
Começou a macacada.
Uma das coisas que mais odiava no meu querido Brasil era a ditadura do carnaval, esse espectáculo kitsch que a escumalha esquerdista, no seguimento da burguesia estrangeirada durante o século XIX, impôs como a grande festa popular do Brasil, ao menos nos grandes meios de comunicação e entre a gente massificada. Do que me lembro, a maioria das pessoas normais odiavam essa palhaçada e sentiam aversão àquelas batidas ridículas e repetitivas que serviam de base para letras imbecis em péssimo português.
Pior que os transtornos que toda essa macacada causava, que não raramente acabavam em mortes causadas por razões estúpidas, quase sempre de natureza sexual, era o coro em uníssono dos grandes meios de comunicação, que promoviam essa falsa tradição como a base da identidade brasileira, quando em verdade é o que de mais anti-brasileiro existe pois, sem dúvida alguma, nos diminui perante os olhos do mundo civilizado. Para cúmulo do absurdo, os mesmos que promovem essa merda são os primeiros a se insurgir quando os "gringos" dizem que o Brasil é só mulata, futebol e carnaval! Ao vir para Portugal, achei que estava livre disso, e fiquei contente.
Porém, o contentamento era falso. Não demorou muito para saber que por aqui também se comemorava o carnaval e, o que era ainda pior, imitando o tal do "carnaval brasileiro", com direito à participação de actores brasileiros em decadência, muita chuva, muito frio, muita celulite e muito vento polar, num cenário ainda mais bizarro do que o imposto em terras tropicais, onde ao menos temos o consolo do calor, das praias desertas ou dos rios do pacífico interior para fugir ao inferno humano em que se transformam as grandes cidades do litoral.
Na zona onde vivo actualmente, por exemplo, que se orgulha do seu "carnaval brasileiro" e possui até escolas de samba, o transito se transformou num inferno pois uma das avenidas principais foi transformada em "sambódromo". Para piorar o que já é mau, toda a cidade é obrigada e levar durante o mês de Fevereiro com samba e outras bostas musicais através de altifalantes espalhados por todo o lado que fazem-na parecer um campo de concentração. Quanto aos gastos da câmara, não devem ser pequenos, e numa conjuntura de crise grave, são verdadeiramente criminosos, especialmente porque o museu local, cujo espólio é riquíssimo, vive em grandes dificuldades e corre o risco de fechar.
Mas é assim. Começou a macacada e eu vou tratar de me afastar dessa porcaria e usar o tempo livre para estudar e pôr a minha vida em ordem. Quero a populaça bem longe de mim!
Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012
La vida loca.
Entretanto, um novo "plano de salvação" para a Grécia vai sendo discutido e os valores adiantados são da ordem dos 170.000.000.000 euros (ver aqui), o que representará o maior "plano de salvação", em valores relativos, já aprovado no mundo, já que chega a quase 65% do valor do PIB grego. Ainda lembro das crises asiáticas, da crise russa, mexicana e brasileira durante os anos 90, crises ocorridas em economias incomparavelmente maiores que a grega. Para dar uma ideia do que se passa, no caso da crise brasileira, o FMI emprestou cerca de 30.000.000.000 de dólares ao Brasil! Chega a ser ridículo falar desses números.
Enquanto tudo isso se passa, o presidente da Alemanha acaba de resignar devido a um escândalo, o que me causa muita estranheza (ver aqui). Por que só agora esse escândalo vem à tona? Enquanto isso, no EUA, onde as eleições internas do partido republicano estão a ser fraudadas de forma descarada, também há coisas muito estranhas a acontecer. Há pouco soube que os militares americanos estão a ser pressionados de maneira inédita na democracia americana para não demonstrarem apoio ao seu candidato favorito, Ron Paul (ver aqui).
A tabela abaixo, retirada do "link" indicado anteriormente, dá uma ideia do que pensam os militares americanos, e dos riscos que a elite globalista corre nessa aposta.
Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
Quanto mais rápido, melhor.
Dentro desse quadro, faço duas perguntas e ofereço as respostas. Há maneira de se permanecer dentro do euro sem condenar o futuro da nação? Há. É possível pô-la em prática? Não. Creio que o leitor perguntará o que me leva a afirmar isso. Assim, tentarei explicar. A única maneira de continuar dentro do euro e criar sustentabilidade é cortar os gastos e os impostos drasticamente, numa proporção que faculte a conversão do défice em superavit e dê suficiente alento fiscal às empresas para que estas se tornem competitivas sem ter que recorrer ao corte dos salários. Porém, isso significaria acabar de vez com as centenas de organizações que sugam o erário para manter clientelas e reduzir os salários da função pública, ao menos a partir de um determinado escalão, de maneira considerável, para além de começar a despedir os funcionários públicos em excesso. Bom, mas isso exigiria que o governo cortasse os gastos em pelo menos 40% agora, para conseguir ao menos cortar os impostos em 20% e criar condições para o crescimento acelerado. Um governo até pode fazer isso no seu princípio, logo após as aleições, mas não foi isso que fez, e nem poderia, afinal, os seus líderes foram escolhidos pela banca internacional.
Diante do quadro político do país, como vimos, tal alternativa é claramente inviável porque exigiria uma classe política patriótica e capaz de liderar pelo exemplo, e estamos muito longe disso. Só há uma maneira de fazer o mesmo dentro do actual sistema, evitando rupturas que façam o país caminhar na mesma direcção em que vai a Grécia, que é a saída do euro seguida da desvalorização da moeda, o que levaria à redução do poder de compra dos que vivem do sector público em relação aos produtos importados, mas o manteria em relação aos produtos nacionais. Porém, tal alternativa só é viável se aceitarmos que não temos mais capacidade para pagar a dívida, pedindo a sua renegociação, e não seria mais do que um remendo se não fosse acompanhada de um plano de longo prazo que reduza o sector público a pelo menos metade do que é hoje. Em verdade, diante do desafio chinês e tendo em conta que o retorno ao mercantilismo é inviável nas actuais circunstâncias, a não ser de maneira pontual e em determinados sectores, como fazem os grandes países até mesmo na União Europeia (vide PAC), acredito que o ideal seria um sector público que gastasse o equivalente a 15% do PIB e mantivesse um superavit constante de 0,5 %, de modo a ter um fundo de reserva a ser usado em situações imprevistas, mas que a História ensina que são a única coisa certa que podemos esperar do futuro.
Portugal não está perdido, acreditem, e pode se tornar uma nação extremamente próspera num prazo de dez anos. Porém, os próximos anos serão duros, ainda que façamos o "dever de casa". Se não o fizermos, a catástrofe é certa, não tenham dúvidas. A União Europeia está a se fracturar, as suas elites insistem num projecto falhado que está a afundar o continente e a situação geopolítica mundial não favorece esses planos, e pode torná-los na causa de um sinistro económico de proporções que superam tudo aquilo que os vivos conheceram. Os próprios alemães já dão mostras desse nervosismo, intervindo de maneira acintosa e desastrada em assuntos que há algum tempo eram tabú (ver aqui).
E tem razões para isso, apesar da alternativa também ser suicida (Irão nuclear). Se houver um conflicto no Médio Oriente, com a consequente disparada do preço do petróleo e do gás, assim como dos juros, os defaults serão imediatos e a bomba vai estourar no lado dos credores, onde está a Alemanha. E numa conjuntura dessas, quando consideramos que os grandes centros urbanos alemães estão cheios de populações islâmicas facilmente incendiáveis, podemos esperar o pior.
Assim, quando mais rápido sairmos do euro e pusermos a casa em ordem, melhor.
Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
Um golpe de mestre da Rússia, para variar.
A habilidade russa é uma das maravilhas do mundo contemporâneo, não tenham dúvidas. Ao contrário da percepção generalizada, muito por propaganda da própria Rússia, de que esta vive um processo de decadência, o que os factos me indicam é que esta assumiu uma posição de poder em relação ao Ocidente que jamais possuiu em todo o tempo da União Soviética.
Ao desmantelar o estado soviético, processo no qual as forças armadas convencionais sofreram grandes cortes orçamentais, os russos tiveram o cuidado de manter e melhorar o seu arsenal nuclear, o verdadeiro garante da sua posição mundial, e levaram o Ocidente a cometer várias erros. No caso dos EUA, essa opção levou o pilar do Ocidente a cortar os seus arsenais e a descurar a manutenção do que restou, inclusive cancelando o desenvolvimento de novos mísseis ICBM, e também a se aventurar em quimeras revolucionárias que visavam implantar a democracia em locais como o Afeganistão e o Iraque, projecto que agradou as elites ocidentais, tão bem instaladas no sector petrolífero.
A manutenção dos preços do petróleo em níveis absurdos durante mais de uma década permitiu à Rússia, grande produtora do mesmo, uma afluência inédita que deu uma base segura para a expansão da sua influência, facilitada pela percepção de que agora o grande perigo no mundo eram os EUA. A discrição com que os seus estadistas conseguiram agir, tornando a Europa Ocidental refém do seu gás e do seu petróleo e estabelecendo por via indirecta, através de Cuba, uma miríade de regimes cripto-comunistas em quase toda a América Latina, reforçando uma posição que já era deveras potente no continente africano e na Ásia, e que agora é consolidada através do seu aliado chinês, que é já a maior potencia industrial do planeta, é de se admirar, especialmente quando comparamos isso aos anúncios de cruzadas em porta-aviões feitos por presidentes que fazem questão de publicitar a sua hybris.
Quanto à influência desta no próprio ocidente, onde as redes do FSB e dos serviços secretos "terceirizados", seja por via das antigas redes dos países de Leste, incluindo o núcleo duro da Stasi, seja por via das máfias, para não falar dos idiotas úteis a serviço dos vários partidos comunistas, que agora, na Grécia, ensaiam o seu poder de mobilização de modo a desenvolver as suas tácticas e reforçar a oposição popular às elites ocidentais envolvidas no projecto europeísta, nunca deixaram de agir e conseguiram uma carta branca para intensificar as suas acções e a sua influência com o "fim do comunismo", ela estendeu o seu campo ideológico a grande parte da direita anti-globalização tradicionalista, que passou a enxergar na "nova Rússia" um aliado na luta contra o internacional-socialismo fabiano.
Os escritos do ideólogo Alexander Dugin são um belo indício da sofisticação dos planos russos em curso e dos perigos que ele oferece. Enquanto isso se passa, as elites ocidentais prosseguem o seu plano globalista anti-cristão, alienando cada vez mais a própria base espiritual e humana do Ocidente do regime que controlam, conseguindo com isso afastar o que a natureza havia separado, prova da sua total falta de habilidade política e indício da sua queda iminente. Entretanto, elas não têm como voltar atrás, afinal, isso implicaria a sua admissão de crimes graves e passíveis de punição, e entre as suas próprias fileiras se encontram muitos que trabalham para o lado contrário, que sempre soube usar das artes da inteligência e da contra-inteligência de maneira mais eficaz.
Voltando um pouco atrás, é importante referir que, durante a fase de cortes orçamentais em relação às forças convencionais, os russos não estiveram parados e aproveitaram esse tempo para desenvolver novas armas, muitas das quais já estão em fase de produção e outras que estão na fase final de desenvolvimento. Desde há alguns anos estes começaram a reequipar as suas forças num ritmo crescente, de maneira discreta, e agora o podem fazer com maior intensidade pois o Ocidente está concentrado nos seus próprios problemas.
Assim, o anúncio abaixo pode ser um indício de que agora, sob a desculpa da protecção dos cristãos em todo o mundo, poderão os russos expandir a sua presença, com ênfase para o mundo islâmico:
Vladimir Putin se compromete a proteger cristãos perseguidos em outros países
Um amigo alertou para os problemas que isso poderia causar com os chineses, cujo governo persegue os cristãos, mas esse alerta serviu apenas para me deixar ainda mais apreensivo. Isso poderá servir para aumentar as "tensões públicas" entre os chineses e os russos, justificando o aumento vertiginoso dos gastos com as forças armadas nas duas nações, uma técnica dialéctica que tem vindo a ser utilizada desde os tempos de Khrushchev, depois das tensões reais existentes durante a fase final da vida de Estaline. A China não possui interesse nenhum na Sibéria, ao contrário do que muitos pensam, e ela em si não é um prémio para ninguém. O acordo entre as duas nações implica que os russos terão sempre uma superioridade nuclear esmagadora em relação aos chineses e que a divisão do mundo deverá obedecer linhas que mais ou menos são estas: a América do Norte é o prémio dos chineses e a Europa é o prémio dos russos. Quanto ao resto do mundo, deverá ser ocupado por governos fantoche submissos aos interesses das elites das duas nações.
Tudo isso pode parecer absurdo para a mente ocidental, e é, mas estamos a falar de gente com uma História onde figuram soberanos genocidas, povos como os mongóis e revoluções recentes que foram feitas às custas de dezenas de milhões de mortos. Coisas que um empregado de uma corporação qualquer jamais entenderá.
Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012
Recado ao otário anónimo que insiste em vir cá despejar ofensas.
Caro otário anónimo que insiste em vir cá despejar ofensas, quero lhe agradecer por tornar a minha vida mais feliz. Acredite que sempre que abro a minha caixa de correio e leio as suas mensagens, fico contente por saber que sou odiado por gente que se esconde atrás do anonimato. Entretanto, lamento em informar o cavalheiro que não publicarei as suas ofensas pois já tenho um comunista de estimação aqui no blogue, ao qual dou o privilégio de publicar aqui os seus comentários, mas que infelizmente tem andado desaparecido. Faço isso pois desde que vim do Brasil já não tenho um papagaio amestrado na arte da ofensa, coisa que para mim, que sempre gostei de filmes de piratas, faz muita falta. Entretanto, queria te fazer um pedido. Peço para que deixe de usar as mesmas ofensas toda a vez que me escreve e utilize todo o potencial da língua portuguesa. Acredite que deve haver centenas de palavras ofensivas na nossa língua, parte das quais, com todo o gosto, poderia te ensinar.
Com toda a consideração, me despeço agora. Um abraço por trás!



